A Universidad Europea del Atlántico (Universidade Europeia do Atlântico, UNEATLANTICO) acolheu a apresentação do Relatório do Estado de Emissões 2024, um documento de referência elaborado pela Fundación Empresa y Clima que analisa a evolução das emissões de gases com efeito de estufa a nível internacional, nacional e regional com base em dados relativos ao ano de 2024.
O dia foi apresentado pelo reitor, Rubén Calderón, que destacou a importância da formação especializada na área ambiental e os diferentes graus relacionados à sustentabilidade oferecidos pela universidade. Posteriormente, o evento foi aberto por Alberto Quijano, Diretor Geral de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, e Elvira Carles, Diretora da Fundación Empresa y Clima, entidade responsável pela elaboração do relatório.
Durante seu discurso, Quijano destacou a trajetória de Carles, com mais de três décadas de experiência no combate à emergência climática, e ressaltou a relevância do relatório como ferramenta de análise e antecipação de tendências. Ele também observou que o aumento das emissões registradas no último período analisado mostra a necessidade de continuar pressionando por medidas de redução e transição energética.
Por sua vez, Elvira Carles definiu o relatório como “uma fotografia do estado do planeta em 2024”, observando que ele se consolidou como uma publicação de referência para organizações internacionais, instituições financeiras e tomadores de decisão climática. Como explicou, o documento é consultado por entidades como as Nações Unidas e o Banco Mundial para avaliar a evolução das emissões e perspetivas futuras.
Entre as principais descobertas do relatório está que a China continua sendo o maior emissor de dióxido de carbono do setor de energia, respondendo por cerca de 30% das emissões globais. Segue-se os EUA, com 13%, e a índia. Juntos, esses três países são responsáveis por mais da metade das emissões do planeta, ressaltando a importância da cooperação internacional no avanço das metas climáticas.
O estudo observa ainda que a geração de eletricidade e calor é a maior fonte de emissões do mundo, representando 45% do total de emissões. Em seguida, estão as indústrias de transporte rodoviário e manufatura.
Os especialistas também analisaram a eficiência de emissões das economias. Nesse sentido, a União Europeia se destaca por gerar altos níveis de riqueza com intensidade de emissão relativamente baixa, enquanto a China caminha para modelos mais eficientes. A índia, por outro lado, continua a enfrentar desafios significativos nesta área.
No caso da Espanha, o relatório reflete uma redução de 7,7% nas emissões em relação aos níveis de 1990. Os oradores salientaram que, embora as emissões tenham continuado a aumentar durante décadas, a Espanha conseguiu, nos últimos anos, cumprir os seus compromissos climáticos.
No entanto, o transporte continua a ser o principal desafio para a descarbonização. Com efeito, este setor tornou-se a maior fonte de emissões na União Europeia, superando até mesmo o setor energético.
Também foi abordada a influência de fatores meteorológicos na evolução das emissões de Espanha e Portugal. A presença dos ventos atlânticos favorece a geração eólica e hidrelétrica, aumentando o peso das energias renováveis e reduzindo a dependência de combustíveis fósseis.
A nível regional, Cantábria mostra uma evolução consistente com a sua estrutura industrial. As 16 instalações sujeitas a verificação de emissões na comunidade registaram cerca de dois milhões de toneladas, representando aproximadamente 1,5% do total de instalações nacionais incluídas nas diretivas europeias.
Os dados apresentados durante o dia mostram uma tendência de queda nas emissões na região, mantendo uma relação equilibrada entre atividade produtiva e controle ambiental. O setor da combustão continua a ser o principal foco emissor dentro da comunidade autónoma, embora os indicadores apontem para uma evolução positiva em linha com os objetivos de sustentabilidade.
Com iniciativas como essa, a UNEATLANTICO reafirma seu compromisso com a divulgação científica e a capacitação em sustentabilidade, fomentando espaços de reflexão sobre um dos maiores desafios ambientais do século XXI
além disso, no âmbito da Cátedra de Ação Climática da UNEATLANTICO, será realizado nos dias 1 e 2 de julho o Congresso Internacional de Ação Climática (ICACC), um encontro que reunirá especialistas, pesquisadores, representantes institucionais e profissionais da indústria para abordar os principais desafios e oportunidades de transição para modelos mais sustentáveis.